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:: Sexta-feira, Julho 16, 2004 ::
O texto a seguir foi publicado na Revista TPM. Mas não encara apenas como mais um texto de relação homem x mulher. Se tu for esperto, vai entender que não precisa buscar isso tudo numa relação. E que, até mesmo sozinho, as coisas acontencem de tal maneira.
Troquei dois de quarenta por um de vinte
Tatiane Bernardi
Ele não gosta de cinema europeu. Não sabe o que é creme brullet, De La Guarda e nunca ouviu falar no filme O Filho da Noiva.
Ele é estagiário, tem 20 anos, acha Frank Sinatra um velho, faz questão absoluta de pagar meu almoço com ticket, e sempre que eu elogio uma roupa, um acessório ou um perfume, responde sem pudor: ¿foi minha mãe que me deu¿.
De cada cinco palavras, uma é ¿irado¿, outra é ¿baguio¿ e as outras três podem ser intercaladas com ¿tipo assim¿ ou ¿se pá¿.
Se essa descrição me fosse feita há alguns meses, eu, que sempre defendi romances com experientes e articulados homens mais velhos, certamente riria e ignoraria tal existência, nem cogitando uma aproximação.
Mas o que seria da vida se o mundo não nos pregasse essas surpresas? Se o mundo não desmentisse nossas verdades absolutas? O mundo é divertido. E, por falar em diversão, tenho andado de volta aos meus 15 anos.
Sempre defendi, eu e minhas verdades irrefutáveis, que os homens mais velhos eram os melhores na arte do acasalamento, e blá blá blá. Pois muito bem, fique com eles então, porque eu ando satisfeita demais para lembrar que eles existem.
Imaginem a minha felicidade ao ver um casal na mesa ao lado, discutindo incansavelmente a relação a dois, enquanto eu e meu menino discutíamos entre batata frita com catchup e batata frita com mostarda. Sendo que eu preferia a segunda opção e ele a primeira. Esse era o nosso conflito.
No fim, acabamos misturando tudo porque, enquanto o mundo adulto pensa, a gente beija, um milhão de beijos para esquecer o mundo. Ele tem um sorriso sem marcas, de uma doçura sem mágoas. Ele é limpo de dores do mundo. E ainda que isso torne sua alegria um pouco sem profundidade, faz com que a superfície brilhe tanto que nada mais importe.
Ele anda o dia inteiro pra cá e pra lá, resolvendo seus problemas de estagiário com seu cabelo tigelinha, sua falta de pêlos e o rosto mais lindo do mundo. E eu vou junto. O dia inteiro para lá e para cá, o dia inteiro para a frente e para trás enquanto ele vai, o dia inteiro disfarçando enquanto ele vem. O dia inteiro desejando que ele apareça para me dar vida, e que ele desapareça para me dar ar.
Você esqueceria qualquer gíria se prestasse atenção na boca carnuda, dura e bem desenhada que as pronuncia. Você esqueceria qualquer ¿não sei¿ se prestasse atenção em tudo que suas mãos, pernas e língua sabem. Você esqueceria qualquer colo maduro se prestasse atenção a quantas horas está naquele colo, que nunca cansa, que nunca pára, que é tão jovem, macio e forte. Você esqueceria qualquer acalanto intelectual se tivesse suas costas e cabelos acariciados durante horas, por mãos leves, intenções leves, por momentos silenciosos jamais despertados por celulares, obrigações e cobranças da vida adulta.
A voz dele, que ainda não é grossa, que ainda não é firme, susurra para mim tudo o que eu preciso ouvir para me sentir de novo com o meu corpo de 18 anos, eu sei que aquela é a voz de que minha alma precisava.
Quando ele sorri desarmado, limitado e impotente, para todas as minhas dúvidas, incostâncias e chatices, eu sei que é daquele sorriso que minha alma precisava.
Ele não faz muito pela minha angústia existencial, até por não saber. E consegue tudo de mim. Consegue até o que ninguém nunca conseguiu: me deixar leve.
Sabe rir mole de bobeira? Sabe dançar idiota de alegria? Sabe dormir gemendo de saudade? Sabe tomar banho sorrindo para a sua pele? Sabe cantar bem alto para o mundo entender? Sabe se achar bonita mesmo de pijama e olheiras? Sabe ter ânsia de vômito segundos antes de vê-lo e ter fome de mundo segundos depois de abraçá-lo? Sabe não agüentar? Sabe sobrevoar o frio, o cinza, os medos, os erros e o tudo que pode dar errado?
Ele consegue fazer com que eu me perdoe por apenas viver sem questionar tanto. Eu quero parar com tudo isso, ele é um menino que não pode acompanhar minha louca linha de raciocínio meio poeta, meio neurótica, meio madura.
Eu quero colocar um fim neste tormento de desejar tanto quem ainda tem tanto para desejar por aí.
E aí eu me pergunto: pra quê? Se está tão bom, se é tão simples. Ele me ensinou que a vida pode ser simples, e tão boa.
É isso, sei que esta coluna se chama Neuras, mas estou de férias das minhas neuroses. Umas férias, tipo assim, iradas.
:: 9:12 PM ::
escreve algumas linhas aê:
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:: Quarta-feira, Julho 14, 2004 ::
Pátio
Se você já esteve num pátio de escola, sabe o que vai encontrar aqui: recreio, merenda, meninos e meninas, brincadeira.
Se você já esteve num pátio de prisão, sabe o que vai encontrar aqui: sol redondo, corpo solto, olho pulando muro, planos de fuga.
Se você já esteve num pátio de hospício, sabe o que vai encontrar aqui: movimentos incomuns, marchas em círculo, pensamentos invisíveis e palpáveis como pedra.
Cada folha caída é uma verdade amarela.
Texto tirado da abertura do site Pátio
:: 8:08 PM ::
escreve algumas linhas aê:
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:: Terça-feira, Julho 13, 2004 ::
Let´s rock!!!
Aí ó, hoje é Dia Mundial do Rock. Então pega aquele teu disco do Stones e entra no clima.
Ou não....
:: 6:30 PM ::
escreve algumas linhas aê:
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:: Segunda-feira, Julho 12, 2004 ::
"Dosagens de vida..."
Autor desconhecido
Jogue fora todos os números não essenciais à sua sobrevivência. Isso inclui: idade, peso e altura. Deixe o médico se preocupar com eles. Para isso ele é pago. Continue aprendendo. Aprenda mais sobre computador, artesanato, jardinagem, qualquer coisa. Não deixe seu cérebro desocupado. Uma mente sem uso é a oficina do diabo. E o nome do diabo é Alzheimer. Curta coisas simples. Ria sempre, muito e alto. Ria até perder o fôlego. Lágrimas acontecem. Agüente, sofra e siga em frente. Lembre-se de a única pessoa que acompanha você a vida toda é VOCÊ mesmo. Portanto, esteja VIVO, enquanto você viver. Esteja sempre rodeado daquilo que você gosta: família, animais, lembranças, música, plantas, hobby, colegas, amigos, o que for. Seu lar é o seu refúgio.
Aproveite sua saúde.
Se for boa, preserve-a.
Se está instável, melhore-a.
Se está abaixo desse nível, peça ajuda.
Não faça viagens de remorsos. Viaje para o shopping, para cidade vizinha, para um país estrangeiro, mas não faça viagens de amargura ao passado.
Diga a quem você ama, que você realmente os ama, em todas as oportunidades.
E lembre-se sempre:
"A vida não é medida pelo número de vezes que você respirou, mas pelos momentos em que você perdeu o fôlego...
de tanto rir...
de surpresa...
de êxtase...
de felicidade..."
:: 9:24 PM ::
escreve algumas linhas aê:
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